ARQ | Filme original Netflix faz milagre com tão pouco

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ARQ (EUA, 2016) é uma ficção científica frenética e nervosa, um filme sobre um homem em loop temporal que replica em cena toda a loucura que significa viver uma mesma situação repetidas vezes, sem parar. Garimpado em Sundance, como todos os outros filmes que a Netflix paga pelo direito de colocar o selo "filme original", ARQ é uma surpresa agradável para quem gosta do gênero.
O filme tem uma tensão constante que é favorecida por um roteiro interessante e engenhoso, sem agredir a inteligência de ninguém. Renton (Robbie Amell, de D.U.F.F.) é um engenheiro que constrói uma máquina de movimento perpétuo - um mito da ciência, segundo o qual a existência de uma máquina que não necessita de nenhum combustível externo para funcionar não poderia se concretizar.
A máquina que ele criou é a que dá nome ao filme. Ele acorda em sua cama, tendo ao seu lado Hannah (Rachael Taylor), e logo seguida vê seu quarto ser invadido por homens mascarados que o nocauteiam e dizem estar em busca de créditos. É só com o decorrer do filme que ficamos sabendo que estamos no futuro, em um mundo cuja atmosfera está totalmente intoxicada, forçando todos a viverem dentro de casa, protegidos do ar tóxico que há lá fora. Também ficamos sabendo que há uma corporação maligna que domina tudo e enfrenta a resistência de um grupo denominado de Bloco. Mas toda essa ambientação não modifica em nada o fato de que Renton passa a viver repetidas vezes aqueles minutos em que é atacado e tem sua namorada amordaçada junto com ele, até de alguma maneira ser morto e novamente acordar em sua cama por volta das 6 horas, e passar por tudo aquilo de novo e de novo.
Se o tema de um loop temporal já foi explorado em vários filmes, como No Limite do Amanhã, Efeito Borboleta e até Feitiço do Tempo, em ARQ o orçamento reduzido impede o filme de explorar melhor o mundo em que a história é ambientada. Isso, entretanto, não faz com que a história em um único cenário (a casa de Renton) deixe de ser cativante e intrigante. A direção de Tony Eliott pode até ter alguns vícios que parecem afetar quase todo diretor independente - a câmera tremida, os frames rápidos que podem cansar um pouco - mas o cineasta parece saber bem o que está fazendo, pois consegue extrair de seus atores mais acostumados com televisão atuações excelentes, que transmitem muito bem o horror que deve ser não conseguir fazer a vida seguir adiante.