A 5ª Onda | Crítica

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Não é fácil assistir A 5ª Onda (The 5th Wave, EUA, 2016). Os rombos no roteiro, os acontecimentos inexplicáveis e os diálogos que nunca saem do lugar-comum fazem da experiência de sentar em uma poltrona de cinema e acompanhar essa trama até o fim algo excruciante.
Olha que o começo do filme até dá alguma esperança: Cassie (Chloë Grace Moretz) aparece armada, apreensiva, dentro de um mercadinho abandonado, à procura de mantimentos, no melhor estilo The Walking Dead. (Em cenas desse tipo, é estranho como as pessoas encontram garrafas d'água e comida dando mole; sempre há uma ou duas garrafas ou latas de atum que alguém aparentemente deixou para trás.) Por meio desse cenário desolador, já sabemos que estamos em um mundo pós-apocalíptico, no qual a lei é cada um por si. Dentro do mercado, escondido em um depósito, há um homem, que logo é confrontado por Cassie, e acaba sendo morto por ela. O mundo realmente mudou. Em seguida, vemos em flashback que as coisas estão feias por causa de uma invasão alienígena que está destruindo a humanidade aos poucos, em eventos catastróficos denominados "ondas". A cada nova onda, a misteriosa raça extraterrestre, conhecida como "os outros" (isso mesmo, igualzinho a Lost e Game of Thrones; já está ficando repetitivo esse negócio), vai aniquilando mais e mais pessoas, até não sobrar mais ninguém. Na 4ª onda ficamos sabendo que os ETs do mal estão assumindo a identidade das pessoas, e se infiltrando em nosso meio, o que faz com que ninguém seja confiável. Na iminência de uma 5ª onda (essa mesma, do título), que parece ser o passo final na extinção final da raça humana, o exército reaparece triunfante e poderá salvar a todos. Ou não.
É claro que, se tratando de uma adaptação de um romance juvenil, haverá um romance em algum lugar por aí. A verdade é que o problema não é bem o romance, mas a maneira como tudo acontece e é retratado no filme. A tal desconfiança contra tudo e contra todos não parece existir, ou é facilmente esquecida. O amor floresce com tamanha facilidade que parece mais um filme televisivo do estilo Lifetime. Cassie, a heroína, alterna fragilidade e autoconfiança sem a menor cerimônia: ora ela é a garotinha do papai, ora ela combate de armas na mão, empunhando fuzis como uma atiradora profissional. O par romântico dela, Evan Walker (Alex Roe), parece um príncipe dinamarquês saído de contos de fadas, e suas declarações de amor são puro besteirol, isso considerando quem ele é de verdade. As justificativas dos personagens não fazem sentido. Todas as reviravoltas da trama são telegrafadas já no primeiro ato, e por isso o final não chega nunca.
Para piorar tudo, há ainda um final em aberto, com o vilão, interpretado por um Liev Schreiber que parece saído direto de Sob o Domínio do Mal, saindo ileso, na esperança de haver uma sequência. A dizer pelos números de bilheteria, A 5ª Onda fracassou e não renderá continuações - ainda bem.
Em meio a tantos filmes que tentam surfar na onda da moda das adaptações de literatura estilo "jovens-adultos", como Crepúsculo e Jogos Vorazes, este A 5ª Onda termina sendo mais semelhante ao primeiro, mesmo querendo se parecer com o universo distópico do último. Missão fracassada.