Mad Max: A Estrada da Fúria | Crítica

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Quando o quase desconhecido Mel Gibson vestiu uma jaqueta preta de couro para perseguir a gangue de motoqueiros que matou sua mulher e sua filha no longínquo ano de 1979 no primeiro Mad Max, um pequeno filme australiano (orçado em menos de 700 mil dólares), ele com certeza não imaginava a mitologia que estava ajudando a criar, que ecoaria até 2015, com o lançamento (e o ressurgimento) de Mad Max: A Estrada da Fúria.
Duas sequências e 36 anos separam aquele road movie desta releitura, mas os anos parecem não ter passado no que diz respeito a habilidade do diretor George Miller - responsável por todos os filmes da série - de impressionar o público. A Estrada da Fúria é grandioso, minucioso em detalhes que talvez só sejam percebidos em uma segunda sessão, e visceralmente divertido.
Desta vez, o dono da jaqueta é Tom Hardy (o Bane de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge), que começa o filme sendo capturado por estranhos, que o levam para um lugar chamado de Cidadela. Trata-se de um pequeno reino, mais um em meio ao caos pós-apocalíptico que tomou o mundo depois de um holocausto nuclear, onde as coisas mais valiosas são água e combustível. O imperador deste lugar é Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), uma figura bizarra, que se mantém vivo graças a um suporte ligado a uma máscara, e controla a água, o que significa controlar o lugar inteiro. Depois de comer o pão que o diabo amassou nas mãos de seus captores, Max vê a chance de escapar quando uma das generais de Joe, Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), resolve desertar, levando consigo todas as esposas do rei insano.
A partir daí, George Miller tem diante de si o quadro perfeito, desenhado para criar algumas das sequências mais sensacionais da história do cinema de ação. É isso mesmo, A Estrada da Fúria é movimentado do início ao fim, sendo basicamente um filme de perseguição por um mortal deserto australiano. Ao evocar os filmes de diligência, aqueles western clássicos nos quais um grupo de pessoas precisa chegar a determinado lugar, enfrentando diversos obstáculos e muitas vezes não alcançando seu objetivo. Se os filmes do gênero têm sempre mulheres indefesas sendo protegidas por homens, neste Mad Max as garotas do comboio estão longe de serem inofensivas, e sua protetora é a Imperatriz Furiosa, interpretada por uma Charlize Theron brilhante, que consegue roubar a cena sempre que entra em ação.
Para dizer a verdade, o Max do título serve mais como um degrau para a ascensão fascinante da Furiosa, uma personagem que praticamente carrega o filme inteiro nas costas. Se há um ponto fraco no novo capítulo da série é o próprio personagem-título, que parece mais um coadjuvante; temos aí uma prova de que o carisma de Mel Gibson era responsável por boa parte do sucesso dos primeiros filmes.
Este ponto fraco, entretanto, não é suficiente para diminuir o poder que A Estrada da Fúria possui de surpreender a cada cena. As sequências parecem ter sido moldadas cuidadosamente, tendo uma sincronia que lembra, muitas vezes, um balé grotesco e genial. A interação com o 3D funciona perfeitamente, até melhor que muitos filmes de super-heróis que enchem os cinemas todos os anos.
A volta de George Miller à série que o apresentou ao mundo é, no final das contas, uma jornada de tirar o fôlego. Com tanta maestria envolvida neste filme, e a dizer pelo resultado que pode vir ou não nas bilheterias, é de se esperar que novos capítulos venham. Este, pelo menos, é o nosso desejo.

Mad Max: Estrada da Fúria (2015) on IMDb