Better Call Saul - Primeira Temporada - Crítica

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No último dia 07 de abril, a Netflix disponibilizou para os seus assinantes o último episódio da primeira temporada de Better Call Saul, spin-off de Breaking Bad, também produzida por Vince Gilligan - que tem, desta vez, a companhia de Peter Gould. Uma série que estreou sob dúvidas dos fãs da saga de Walter White, que receavam ser difícil manter o nível com que Breaking Bad terminou. A verdade, entretanto, é que Better Call Saul não só soube manter a qualidade de sua série-mãe, como também conseguiu acrescentar elementos que fazem dela um espetáculo à parte.
Uma dessas narrativas únicas e excepcionais, Breaking Bad apresentou ao público personagens inusitados e inesquecíveis. Além dos óbvios Walter White e Jesse Pinkman, a dupla de protagonistas, a série ainda trouxe gente como o psicopata Tuco, o leal Mike, o policial incorruptível Hank, e o advogado topa-qualquer-parada Saul Goodman. Quando soubemos que o spin-off da série teria como protagonista este último, a empolgação foi geral, especialmente porque apesar de seu carisma inegável, o personagem interpretado Bob Odenkirk não era muito conhecido. Sabia-se muito pouco sobre seu passado, especialmente sobre de que maneira ele chegara até o ponto em que entrou na vida de Walter White.
Em Better Call Saul, o que se tem é um prelúdio que não se prende de forma alguma à série que a originou. A não ser pelos dois primeiros episódios, quase nada no programa remete a Breaking Bad. Jimmy McGill, que depois virá a se tornar Saul Goodman, tem todo um universo próprio, com coadjuvantes muito interessantes e tão marcantes quanto aqueles da série anterior de Vince Gilligan. Better Call Saul é tão independente que é possível desfrutar da trama sem nunca ter visto sua série-mãe - e sem prejuízo algum na compreensão da história.
Chama atenção também a sofisticação com que o programa é produzido; os ângulos de câmera e as tonalidades da fotografia são notáveis. O roteiro é igualmente bem elaborado e coerente, com as peças se encaixando e a trama melhorando numa crescente, sendo cada episódio melhor que o outro. O episódio final, em que finalmente temos uma visão mais detalhada do Jimmy "Sabonete", o trapaceiro que futuramente se tornaria advogado estudando à distância, encerra a temporada de maneira magnífica, deixando algumas perguntas para serem respondidas mais tarde, ao mesmo tempo em que esclarece muita coisa sobre a índole - e uma certa ingenuidade - do protagonista.
Mais do que conhecer o passado de Saul Goodman, a série também mostra a vida de Mike (Jonathan Banks), que em Breaking Bad era um guarda-costas frio e sereno, capaz de tudo para cumprir suas ordens - fossem elas quais fossem. Aqui, Mike é um ex-policial que está tentando recomeçar a vida depois de um sério trauma. É de se esperar que as próximas temporadas tragam mais oportunidades para que Jonathan Banks mostre seu talento e para que o personagem seja mais explorado.
Se, como aconteceu com Breaking Bad, a história de Jimmy McGill ganhar novos fãs a cada temporada, Better Call Saul promete ser tão importante quanto as desventuras de Walter White e cia. Mas isso só o tempo dirá.

Better Call Saul (2015– ) on IMDb