Whiplash: Em Busca da Perfeição | O triunfo de um cineasta

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Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, EUA, 2014) é um daqueles filmes para se ver no volume máximo, tanto para se apreciar a excelente música apresentada como para se impressionar ainda mais com as atuações dos atores principais. Miles Teller (O Maravilhoso Agora) e J. K. Simmons (o J.J. Jameson da primeira trilogia Homem-Aranha) entregam o que pode ser a interpretação de uma vida, ao viverem dois dos antagonistas mais marcantes da década. Teller é Andrew, um jovem baterista talentoso que ingressa no prestigioso Conservatório Shaffer, uma das melhores escolas de música dos EUA, ambicionando tornar-se nada menos que uma nova lenda do jazz. Ele acaba sendo convidado pelo professor Fletcher (J.K. Simmons) para fazer parte de sua premiada Studio Band, como baterista reserva. Fletcher tem uma metodologia nada ortodoxa, que pretende estimular os alunos a ir além do que acham que podem. Para isso, ele recorre a humilhações públicas, gritos, xingamentos e até espancamentos. Segundo o que pensa o professor, um artista nunca deve estar satisfeito com uma performance - "Bom trabalho" são duas palavras que jamais deveriam ser ditas a um músico.
Se o método aplicado por Fletcher é discutível, disso não temos dúvida. Mas é justamente esta maneira de agir que torna Whiplash um filme tão hipnotizante e empolgante. O próprio diretor, Damien Chazelle, é baterista e confessou ter se inspirado em experiências pessoais para escrever o roteiro. Originalmente, Whiplash foi um curta que Chazelle produziu para conseguir dinheiro e poder transformar a história em um longa; depois de conquistar o primeiro prêmio no Festival de Sundance, ele finalmente pôde fazer o filme como sonhava, e assim foi. Whiplash foi filmado em 19 dias, e editado e pós-produzido em 10 dias, ficando pronto para o próximo Festival de Sundance, do qual o filme sairia o grande vitorioso. A caminhada de prêmios culminaria em cinco indicações para o Oscar, incluindo Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante (favorito nesta categoria).
Andrew (Miles Teller) e Fletcher (J.K. Simmons): dupla que já faz história
Se há uma injustiça nisso tudo, foi o fato de Miles Teller não ter conseguido uma indicação. A dedicação do ator ao papel é notável. Apesar de já tocar bateria desde os 15 anos, Teller precisou passar por um intenso treinamento até alcançar o nível que o filme exigia. O resultado é visível em cena: mesmo contando com um dublê, todas as cenas musicais intensas foram interpretadas pelo próprio Teller, gerando espanto por onde o filme passou. Além das sequências em que toca bateria, entretanto, o ator consegue captar a atenção da audiência, fazendo um Andrew obcecado pelo sucesso, capaz de renunciar a qualquer relacionamento com outras pessoas para poder se dedicar inteiramente à realização de seu sonho. O desespero nos olhos do protagonista quando este ensaia e pratica o instrumento até os dedos sangrarem é assustador.
Por tudo isso, Whiplash é o filme mais emocionante dentre os indicados ao Oscar 2015. Não deve sair vitorioso, mas com certeza gerará muitos dividendos aos envolvidos em tamanha empreitada: Miles Teller já foi confirmado como o novo Reed Richards de Quarteto Fantástico, enquanto Damien Chazelle já está preparando seu novo filme, La La Land, sobre um pianista de jazz que se apaixona por uma aspirante a atriz. O veterano J.K Simmons, por sua vez, é o favorito ao Oscar. O futuro pode ser brilhante e, no caso dos envolvidos em Whiplash, eles fizeram por merecer.

Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014) on IMDb