Refém da Paixão | Kate Winslet consegue (de novo) emocionar

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Não é de hoje que Kate Winslet nos concede atuações marcantes e impressionantes, humanas e vibrantes, tocantes e intensas. São tantos os adjetivos, você pode pensar, mas são o bastante para qualificar o quanto a atriz inglesa preenche cada fotograma em que está presente com seu talento que parece não cessar. Já em Titanic (1997), nenhuma crítica negativa mencionava algo que riscasse o trabalho de Winslet no papel da protagonista do romance trágico.
Em Refém da Paixão (Labor Day, EUA, 2013), Kate volta a fazer o papel de uma mulher abalada pelas circunstâncias em que se encontra. Adele, sua personagem, é uma mãe depressiva, que depois de ser abandonada pelo marido (Clark Gregg), só não mergulha definitivamente na tristeza plena por causa do filho, Henry (Gattlin Griffith, o filho perdido de Angelina Jolie em A Troca). É o filho quem a mantém ligada ao mundo real, ao cuidar da casa assumindo o papel que seria de um esposo. No entanto, ele sabe que há coisas que um filho não pode fazer no lugar de um marido.
No final de semana de feriado prolongado do Labor Day, o Dia do Trabalho americano, mãe e filho vão às compras mensais - único momento em que os dois saem de casa juntos. Inadvertidamente, são abordados por um homem estranho, Frank (Josh Brolin), que intimida Adele a lhe dar uma carona e levá-lo para a casa deles. O que irão descobrir logo depois, é que Frank é um fugitivo da prisão, condenado a 18 anos por assassinato. O homem age de maneira gentil e tranquila, determinado a permanecer fora da prisão, e trata seus reféns naturalmente, sem agredi-los ou ameaçá-los. Ele decide passar a noite na casa da família, e a noite acaba se estendendo por todo o final de semana. Nesses três dias, a vida de Adele e Henry irá mudar radicalmente.
Sem um homem adulto para fazer o papel de pai, Henry logo vê em Frank alguém a quem admirar, ainda mais depois de observar como Frank ajuda a cuidar das coisas em casa, consertando tábuas soltas, trocando o óleo do carro da mãe e, principalmente, cozinhando como um verdadeiro chef, preparando coisas deliciosas e surpreendendo a todos.
Se, a princípio, a presença de Frank em casa não causa nada além de tensão e sentimento de perigo iminente, posteriormente o fugitivo conquistará não só a confiança dos reféns, mas também o amor de Adele. Um amor arrebatador, diga-se de passagem.
Dirigido por Jason Reitman (Amor Sem Escalas, Jovens Adultos, Juno), o romance é feliz em construir a maneira como Adele e Frank se apaixonam. Nada acontece furiosamente ou, acredite se quiser, subitamente. Tudo parece natural, e o filme jamais se envereda por uma trilha sonora lacrimosa ou cenas de apelo emocional fácil. E lá está Kate Winslet, mais uma vez entregando uma atuação digna de premiações ou, no mínimo, da admiração constante de quem ama cinema e tem saudades de divas da categoria de Katherine Hepburn e Judi Dench.