A Culpa é das Estrelas | Muita emoção na adaptação do best-seller

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De vez em quando isso acontece: um livro se torna uma febre, arrebata multidões de leitores e vai parar em Hollywood, normalmente em um filme inferior que se aproveita dos fãs para fazer sucesso nas bilheterias. Com A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars, EUA, 2014), somente o começo dessa história é assim. Digo isso porque o filme de Josh Boone é uma obra séria e emocionante, que faz jus a todo o barulho feito pelos fãs do romance de John Green.
O filme conta a história do amor vivido por Hazel Grace (Shailene Woodley, nova estrela do cinema) e Augustus (Ansel Elgort), dois jovens que se conhecem por terem em comum a convivência com algum tipo de câncer - eles frequentam o mesmo grupo de apoio a portadores da doença. Apesar da fragilidade na saúde, os dois têm um bom humor e uma forma de ver a vida como só quem está à beira da morte o faz.
A química entre os atores é o ponto forte do filme; Shailene Woodley parece nascida para o papel, e sua naturalidade impressiona mesmo quem já a conhecia por seu papel de filha de George Clooney em Os Descendentes, pelo qual foi até indicada ao Oscar. Ansel Elgort tem todas as qualidades que podem fazer dele um astro, e as utiliza sem nenhum receio. O casal de protagonistas assume com maestria o peso de estampar cada cartaz e peça publicitária da produção, bem como quase todas as cenas do filme. Parecem flutuar em frente às câmeras, mesmo nas sequências mais tristes e lacrimosas.
O elenco de apoio, entretanto, parece meio solto e descuidado, especialmente os atores mais experientes, que são Willem Dafoe (o Duende Verde de Homem-Aranha) e Laura Dern (Jurassic Park). Esta última, especialmente parece reprisar sua personagem da série Enlightened, só que mais amorosa; Dafoe aparece pouco como o irritante autor-ídolo do casal, mas tem uma participação fundamental, principalmente no estabelecimento do principal lema do filme: "Alguns infinitos são maiores que outros".
Quando sobem os créditos, A Culpa é das Estrelas deixa na gente uma sensação de urgência em relação a quem se ama, como se cada minuto fosse precioso e devesse ser aproveitado ao máximo, ao lado da pessoa amada. Além disso, a adaptação, como o livro original, levanta questões interessantes sobre a constante presença da morte em nossas vidas, com doenças ou não.
Enfim, um filme que pode ser desfrutado e apreciado, mesmo que no final você venha a chorar um bom bocado de lágrimas.

A Culpa é das Estrelas (2014) on IMDb