The Leftovers | Nova série da HBO começa muito intrigante

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Lançada com grande expectativa pela HBO, The Leftovers teve seu episódio piloto exibido hoje, estreando simultaneamente em todo o mundo pelo canal pago. Criado por Damon Lindelof (Lost) e Tom Perrotta (autor de Pecados Íntimos e do livro que deu origem à série), o programa não dizia absolutamente nada sobre a trama, ou melhor, nada além do fato de que os personagens são os remanescentes de um evento trágico que ocorreu no mundo, três anos atrás: o desaparecimento súbito de 2% da população mundial, ou 140 milhões de pessoas. Pensou no Arrebatamento profetizado na Bíblia? Pois é, todo mundo também pensou, e parece que a série tenta fazer uma releitura da profecia cristã, subvertendo quase tudo em que creem bilhões de pessoas. A referência ao cristianismo está lá o tempo todo, a começar pelo slogan da série, "O tempo da graça acabou", chegando a sérias abordagens que contrapõem ciência e religião.
Passada na cidade fictícia de Mapleton, Utah, The Leftovers tem em seu primeiro episódio uma única família como principal personagem. Trata-se da família Garvey, chefiada por Kevin (Justin Theroux), chefe de polícia da cidade, que tem dois filhos jovens, ambos em encruzilhadas na vida, sem saber que caminho seguir. A menina, Jill, é uma dentre os poucos estudantes que não perdeu ninguém, e parece perdida, embora seja meiga. O rapaz, Tom, ingressou em uma misteriosa seita. A esposa, Laurie, também entrou em um culto, mas diferente e estranho, no qual as pessoas fumam o tempo todo e praticam um sinistro voto de silêncio. Aliás, esse culto é o maior mistério do primeiro episódio. Um monte de gente vestida de branco, com cigarros ininterruptamente acesos, se comunicando através de bilhetes e, aparentemente, praticantes de uma espécie de pacificação levada ao extremo: quando agredidos, não revidam nem tentam fugir.
Além disso, outras figuras entram em cena para acrescentar mais molho à mistura: o guru de uma das seitas, aparentemente pronto a explodir em violência a qualquer momento; cachorros enlouquecidos por terem testemunhado o desaparecimento de seus donos; um cara que vaga pela cidade, de rifle em punho, matando esses cães; e uma mãe que aparece na abertura do episódio, presenciando o sumiço de seu filho, ainda bebê.
Todo o clima da série colabora para intrigar o espectador. A cada nova cena, a cada novo personagem, mais perguntas se formam na nossa cabeça e, ao final do episódio, nenhuma dessas perguntas sequer começou a ser respondida. Isso acaba rendendo uma vontade praticamente irresistível de acompanhar o programa, e tentar entender o que, afinal de contas, está acontecendo. É o que eu vou fazer.