É o Fim | Comédia apocalíptica brinca com a fama

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Como ator, Seth Rogen já fez filmes memoráveis e de enorme sucesso, como Ligeiramente Grávidos, Segurando as Pontas, 50% e O Virgem de 40 anos. Uma de suas características mais marcantes é o fato de nunca se levar a sério, como o fazem tantos outros atores que transitam entre a comédia e o drama em uma tentativa de ser ator "respeitado" pela Academia. Não é de admirar que sua estreia na direção seja justamente em um filme que brinca com a fama hollywoodiana e, em nenhum momento, se leva a sério. Estou falando de É o Fim (This is The End, EUA, 2013), dirigido pelo ator em parceria com Evan Goldberg, roteirista de Superbad - É Hoje e O Besouro Verde, também estreando na direção. Marcante, a princípio, por trazer atores famosíssimos nos papéis de si mesmos, a comédia também chama a atenção por outros fatores, entre eles, os espertos diálogos.
Embasada em uma tonelada de metalinguagem, a trama de É o Fim não poderia ser mais simples: Seth Rogen recepciona Jay Baruchel (O Aprendiz de Feiticeiro), seu velho amigo canadense, em Los Angeles, onde passarão algum tempo se divertindo. Rogen arrasta o amigo para a casa de James Franco (127 Horas, Homem-Aranha 3, Oz - Mágico e Poderoso), onde uma festança acontece para comemorar a inauguração do novo lar do ator. O problema é que todos ali são apenas amigos de Seth; Jay odeia a maioria dos convidados, especialmente Jonah Hill (Superbad - É Hoje, O Homem que Mudou o Jogo), que considera um tremendo falso. A festa está cheia de gente famosa, como Michael Cera (Scott Pilgrim Contra o Mundo), Rihanna (Battleship: A Batalha dos Mares), Mindy Kaling (Sexo Sem Compromisso), Danny McBride (Sua Alteza?), Christopher Mintz-Plasse (o McLovin de Superbad - É Hoje e o Red Mist de Kick-Ass) e Emma Watson (a Hermione de Harry Potter). As cenas iniciais, mostrando todas essas celebridades reunidas, são hilárias, como Michael Cera chapadão, dando um tapa no traseiro de Rihanna, que retribui com um tremendo tapão na cara.
Mas tudo entra no buraco (literalmente) quando uma série de explosões acontece em toda a cidade, acompanhadas de terremotos, buracos sendo abertos no chão e gente sendo levada para o céu em túneis azul-celeste. Depois de um monte de gente ser engolida pelo chão - entre elas está Rihanna, na cena que muitos haters vão amar - apenas seis caras restam: James Franco, Seth Rogen, Jay Baruchel, Jonah Hill, Craig Robinson e Danny McBride. Eles terão que lidar com o completo mistério sobre o que está acontecendo, enquanto, é claro, enfrentam o desafio de conviver em um local isolado do resto do mundo, sobrevivendo a isso.
Em meio a tanta metalinguagem, com os atores proferindo falas hilárias e tirando onda uns com os outros, eles vivem, na verdade, os mesmos papéis de seus filmes: Rogen é aquele cara amigável, querido por todos e com aquela risada marcante de sempre; Jay é o magrelo bacana, sempre com um olhar crítico; Jonah é o que fala baixo, e nunca perde a compostura; Craig é o típico medrosão; Danny é o detestável, pé-no-saco; e Franco é aquele ricaço, indicado ao Oscar e que continua com a expressão de "sou-famoso-mas-não-tô-nem-aí-pra-isso". E tem ainda Emma Watson, que faz uma participação engraçadíssima. Tem futuro, essa garota.
É o Fim funciona extremamente bem também nas cenas de efeitos especiais que, mesmo sendo poucas, são eficientes e dão um ótimo ritmo ao clímax do filme. Mesmo assim, são as cenas menos elaboradas tecnicamente que fazem a diferença. Como já é de praxe nos filmes desses atores, há muito improviso e provocações mútuas ao mesmo tempo em que as declaração de amor masculino se sucedem repetidamente. É o Fim é o "bromance", gênero criado pela turma de Seth Rogen, elevado a níveis apocalípticos.

É o Fim estreia no Brasil em 11 de outubro.