Curvas da Vida - O bom e velho Clint Eastwood continua em grande forma

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Mickey (Amy Adams) é uma jovem advogada, esforçada e independente, que está prestes a se tornar sócia na firma onde trabalha. Seu pai, Gus (Clint Eastwood), é um caça-talentos de beisebol, pertencente a uma velha guarda, daqueles capazes de dizer somente pelo som de uma bola sendo rebatida ou sendo amortecida em uma luva, se o jogador - rebatedor ou lançador - é de qualidade e digno de ser contratado por sua equipe, os Atlanta Braves. O problema é que Gus está velho, e sua visão começa a desaparecer, o que pode significar sua obsolescência e consequente aposentadoria. Sabendo de sua condição, Mickey resolve tirar uns dias de folga no trabalho - em um período decisivo para seu futuro na firma - para cuidar de seu pai e se assegurar de que ele ainda pode fazer seu trabalho. Tendo sido criada em jogos de beisebol, Mickey entende muito do jogo, conhecendo estatísticas e técnicas que muito marmanjo desconhece, o que pode ser um trunfo na manga dela, ao lidar com seu pai - e um elemento interessante do filme, que mostra uma mulher superando as dificuldades de viver em um ambiente quase inteiramente masculino.
Em meio a esses dias juntos, pai e filha poderão acertar as contas com o passado, e terão que lidar com sentimentos de abandono e incapacidade, acumulados em anos de uma convivência conturbada.
O roteiro de Curvas da Vida (Trouble With the Curve, EUA, 2012) não traz nada de novo, nenhum elemento que já não tenha sido mostrado em outros filmes sobre pais e filhos. A vantagem deste filme em particular é a química entre Amy Adams e Clint Eastwood, que volta a atuar em frente às câmeras, sendo dirigido por outro cineasta, no caso, Robert Lorenz, em sua estreia como diretor. Sem muitos desafios nesta estreia, Lorenz se contenta em permitir que o talento de seus protagonistas assuma a dianteira do filme, o que não é nem de longe algo ruim. Já Eastwood, como sempre, é o destaque do elenco, vivendo seu tipo rabugento de sempre, mas com um toque de gentileza que o deixa maleável como nunca. Amy Adams, entretanto, não se intimida com a presença da lenda do cinema, provando (mais uma vez) que tem condições de se manter no topo em Hollywood, entregando sempre grandes atuações. Há também a boa participação de Justin Timberlake, como o ex-jogador, descoberto por Gus, que tem diante de si seu primeiro desafio como caça-talentos.
Curvas da Vida pode afastar, à primeira vista, o público brasileiro, que não conhece beisebol e suas regras.  Assim também é comigo. Aliás, tenho que confessar: acho beisebol um verdadeiro pé no saco. Mas isso não  é um obstáculo, já que o filme vai muito além dos jogos de beisebol; é um filme sobre o jogo da vida.

Curvas da Vida (2012) on IMDb