Abril Pro Rock 2013 - Nosso correspondente em Recife

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Plínio Barboza


Antes de falarmos da edição de 2013, vamos antes fazer um resumo da historia do Festival, que é essa: O festival Abril Pro Rock acontece anualmente, desde 1993, em Recife, Pernambuco, no mês de abril. O evento se tornou referência nacional por mostrar bandas e artistas com renome na cena independente do país inteiro e do exterior, revelar novos nomes e apoiar as bandas locais.
O nascimento do Abril Pro Rock coincidiu com a explosão do Movimento Manguebeat, que revelou bandas como Penélope (banda), Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Eddie, Devotos, Faces do Subúrbio e outras.
Bandas como Los Hermanos habitualmente reputam as suas apresentações no Abril Pro Rock, feitas antes de assinarem contratos com gravadoras, como porta de entrada para o cenário nacional.
Dito isso, vamos à edição de 2013.
Esse ano o festival aconteceu nos dias 19 e 20 de Abril no Chevrolet Hall de Recife, e como sempre o line-up tanto do dia mais leve, quanto do dia mais pesado contava com bandas de alto nível, vamos a elas.
No dia 19 (o dia mais calmo), o line-up era Tagore (PE), Babi Jaques e Os Sicilianos (PE), Silva (ES), Volver (PE), Television (EUA), Marcelo Jeneci (SP), Siba (PE) e Moveis Coloniais de Acaju (DF); confesso que a exceção do Television e das bandas Tagore e Babi Jaques e Os Sicilianos, todas as outras já conhecia o som, mas tirando o Moveis que já vi dois shows todas as outras seria o primeiro show; vamos a eles:
Tagore – infelizmente não vi, cheguei atrasado.
Babi Jaques e Os Sicilianos - belo show, banda bem teatral, com uma pegada rockabilly, surf music me surpreendeu;
Silva
Silva – esse era o meu maior medo pelo fato de ele ter um som tranquilo que EU achava combinaria mais para um teatro e não um festival me surpreendeu um dos melhores shows da noite, com direito a cover de Carmen Miranda (Top 3);
Volver
Volver – apesar do ultimo disco (lançado pelo finado selo Trama Virtual) eu ter achado meio inconstante, fez um showzaço... lógico que o publico contribuiu pra vibe, adoro ir em shows de bandas Pernambucanas em Pernambuco a galera valoriza pacas;
Marcelo Jeneci
Marcelo Jeneci – depois do show do Moveis era o show que eu mais queria ver, e correspondeu a todas as expectativas, incluindo até um pedido de casamento durante a execução de Pra Sonhar (já ta virando rotina nos shows dele) foram tocadas todas as musicas do Feito pra Acabar e confesso que na hora de Felicidade e Feito Pra Acabar lagrimas brotaram nos meus olhos (Top 2);
Television – bem, apesar de ser uma banda clássica com uma legião de fãs das antigas (galera com idade pra ser meu pai curte Television) eu não conhecia nenhuma musica da banda e achei o show meio morno, é tanto que durante o show tava na fila pra tentar ganhar uma camisa do festival e fui comprar alguns vinis; por isso não ranquearei o show;
Siba – showzaço, apesar de não tá mais na pegada da época de Mestre Ambrosio, Siba e Sua Guitarra (estranho falar isso quando o normal era Siba e Sua Rabeca), tocaram o repertorio do disco Avante num show bom, mas um pouco morno, às vezes o cansaço de se ir a Festivais pode influenciar na sua percepção; (Top 4).
Móveis Coloniais de Acaju
Móveis Coloniais de Acaju – sim, meus amigos, esse era o show mais esperado da noite. Não tinha cansaço, chuva nem nada que me fizesse perder esse show do Móveis e como sempre a banda não decepcionou, mesclando músicas do primeiro disco e do segundo e apresentando as músicas do terceiro disco (os momentos mais frios do show, já que não se tinha intimidade com as músicas) e, como sempre, encerrando o com a mítica Copacabana e sua tradicional roda, com direito a banda tocando no chão no meio do público! Se tem uma coisa que recomendo a todos é de que antes de morrerem devem ir num show do Móveis Coloniais de Acaju. (Top 1)
Dia 20 – o dia do peso do Abril Pro Rock, quando aconteceu uma coisa bizarra: no fundo do Chevrolet Hall está localizado o Centro de Convenções de Recife, e nesse mesmo dia estava acontecendo um show do SPC (não o Serviço de Proteção ao Credito, mas sim o Só Pra Contrariar) e ao chegar à entrada do congresso vi várias meninas fantasiadas de piriguetes, os mano de aba reta e cabelo estilo Neymar convivendo pacificamente com cabeludos, barbudos de camisa preta, alguns usando spikes. Enfim, uma convivência pacífica, mas estranha, de rockeiros e pagodeiros (detesto rótulos, mas era impossível não reparar). Dito isso, vamos aos shows.
O segundo dia, pra mim, era o menos interessante; só queria ver duas bandas Dead Kennedys e Devotos, mas acabei vendo também o show da D.F.C e do Krisiun. Vamos a eles:
D.F.C – banda já com mais de 20 anos de carreira, toca um Punk/Hardcore dos bons, politizado e bom pra fazer roda; não conhecia a banda, mas como curto Punk/Hardcore gostei pra caramba, musicas ligeiras; pesquisarei! (Top 3)
Devotos
Devotos – banda de Recife, antes conhecida como Devotos do Ódio, formada no Alto Zé do Pinho, que tem como frontman o carismático Canibal, fez um show porrada! Só clássicos, lembrei minha adolescência, banda super politizada também e que nas letras revela as mazelas de Recife. (Top 1)
Dead Kennedys
Dead Kennedys – banda clássica da Califórnia, faz um Hardcore dos bons e com letras politizadas e algum escracho, a exceção de Jello Biafra (o vocalista original), a formação original tava toda lá. E os coroas do Dead Kennedys não decepcionaram e tocaram todos os clássicos, o vocalista interagiu legal com o publico e várias rodas aconteceram. E lógico, rolou Holiday in Camboja e um cover de Elvis, Viva Las Vegas. Lavei a alma. Ah! Depois do shows eles foram ver o show do SPC, passaram só 10 minutos lá, mas dei valor por não terem preconceito. (Top 2)
Krisiun – não sou fã de Metal (ok eu curto Metallica, Motorhead, Black Sabath e afins), mas isso não vem ao caso. O legal de ir num show de Heavy Metal é ver o quanto a galera é fiel e vai pra curtir o show, sem fuleragem de ficar filmando, tirando foto etc e tal e confesso que o Krisiun me surpreendeu, som pesado, vocal grutual. Até gostei do show. (Top 4)
Esse foi um resumo do que foi meu segundo Abril Pro Rock, um festival que desde o começo sempre quis ir, e acho que vocês deveriam ir um dia. Não se compara aos Rock In Rio, Lollapalooza, Planeta Atlântida da vida, já que o intuito do Festival sempre foi abrir a porta para as bandas novas e menos conhecidas, só pra dar uma ideia do que saiu de lá: Skank, Los Hermanos, Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Gabriel O Pensador e muita gente boa. Pra encerrar, o Abril Pro Rock é um festival pra descobrir coisas novas.