A Escolha Perfeita - Como um elenco perfeito salva um filme-clichê

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Não é de hoje que filmes do tipo "concurso musical" são produzidos em Hollywood. Normalmente os estúdios criam histórias que enaltecem a capacidade que todo mundo tem de vencer na vida, usando os concursos musicais como uma espécie de analogia. Usando este mote, muitos filmes fizeram sucesso, desde A Noviça Rebelde até Mudança de Hábito, passando também por séries como Glee e Smash (embora não seja sobre concursos musicais, retrata a luta para vencer na Broadway). Alguns destes filmes se mostraram verdadeiras bombas, preferindo criar números musicais elaborados a elaborar um roteiro no mínimo crível.
A Escolha Perfeita (Pitch Perfect, EUA, 2012) encontra-se em um meio-termo nesse jogo artístico: tem um roteiro formulaico - "reviravoltas" que podem ser previstas com 30 minutos de antecedência, personagens que são figurinhas fáceis em comédias, como a gordinha descolada, a gostosona ninfomaníaca, a garotinha tímida e a protagonista, que é a única pessoa "normal" da turma - mas que é salvo pela feliz escolha do elenco.
Beca (Anna Kendrick, de Amor Sem Escalas e Scott Pilgrim Contra o Mundo) é uma recém-chegada a uma universidade, embora tenha vontade de largar os estudos para se dedicar à música, sua grande paixão. Totalmente contra sua vontade, ela ingressa em um coral universitário "acapella" (que faz música sem o uso de instrumentos), formado inteiramente por meninas, que deseja voltar a competir em concurso nacional de corais do gênero. A líder do coral, Aubrey (Anna Camp, de Histórias Cruzadas), é antiquada e só escolhe músicas antigas para o repertório do grupo, além de ter um sério problema de nervosismo, que a fez vomitar em plena final do concurso do ano anterior. É claro que as ideias de Beca irão mudar os rumos do grupo, e todos esperam desde o começo do filme, o momento em que o grupo finalmente vencerá o concurso.
Como já disse lá em cima, o que faz a diferença em A Escolha Perfeita é o elenco. Além de Anna Kendrick, com sua graciosidade habitual, quase infantil, o filme ainda conta com Rebel Wilson (a colega de apartamento de Kristen Wiig em Missão Madrinha de Casamento), que, de longe, tem as melhores piadas do roteiro, a ponto de roubar a cena em muitos momentos.
É claro que, em um filme do gênero, os números musicais devem ser espetaculares. E eles são, apesar de utilizarem alguns hits pop momentâneos (Como explicar a presença de "Since U've Been Gone", de Kelly Clarkson no repertório do filme?), que fazem com que o filme já nasça datado. A cena das audições para entrar nos corais é especialmente bacana, com uma edição interessante e ágil. Não é de se admirar, já que o diretor, Jason Moore, estreante em cinema, é veterano na condução de musicais da Broadway, a ponto de ter sido indicado ao Tony, o Oscar do teatro americano.
A Escolha Perfeita é uma boa escolha (alerta de trocadilho infame!) para desfrutar de alguns bons momentos com uma turma que curte música ou comédia, ou as duas coisas juntas.

A Escolha Perfeita (2012) on IMDb