As Vantagens de Ser Invisível - Você tem que ver esse filme

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Charlie (Logan Lerman, de Percy Jackson e o Ladrão de Raios) é um garoto que está experimentando a glória e a agonia de crescer. Lutar contra uma doença mental e passar pela adolescência ao mesmo tempo não é nada fácil. Ainda mais depois que seu melhor - e único - amigo morreu, ele se fechou em seu próprio mundo, contentando-se em se manter invisível na nova experiência do começo do período de Ensino Médio, a tão temida high school americana, que pode ser o inferno para jovens como ele, introspectivo e tido como weird (esquisito) pelos colegas de escola. Sua alegria é estar em família e escrever cartas para o amigo morto, que é sua única forma de interação e compreensão do mundo fora da bolha criada por ele, na qual vive confortavelmente, ao menos aparentemente. Isso tudo até ele conhecer Patrick (Ezra Miller, de Precisamos Falar Sobre o Kevin) e Sam (Emma Watson, indo muito bem depois da série Harry Potter), irmãos "emprestados", que têm um jeito peculiar de lidar com a vida e com a entrada na idade adulta. Patrick é homossexual e mantém um relacionamento secreto com o garoto mais popular da escola; Sam é uma jovem brilhante, que sonha em entrar em uma boa universidade, mas fracassada nos relacionamentos, ao amar caras que são verdadeiros cafajestes. Ambos são veteranos, enquanto Charlie ainda é calouro no Ensino Médio, mas ainda assim os três constroem uma amizade que marcará suas vidas para sempre.
As Vantagens de Ser Invisível é o segundo filme de Stephen Chbosky, desta vez adaptando seu próprio romance homônimo, aclamado pela crítica. Antes, o diretor/roteirista já havia escrito o roteiro da fracassada adaptação para as telas do musical Rent - Os Boêmios, que apesar de bons momentos carecia de coesão narrativa, e participado da criação da série Jericho, que durou apenas duas temporadas, embora fosse amada pelos (poucos) fãs. Desta vez Chbosky finalmente acertou a mão. Provavelmente por apego à sua própria obra, ou talvez por causa do tom quase autobiográfico da trama - que se passa no começo da década de 1990. O filme não se deixa cair nas armadilhas comuns das produções voltadas para adolescentes, repletas de clichês e canções descartáveis. Aliás, no quesito trilha sonora o filme é um verdadeiro achado, daqueles que fazem a gente querer parar tudo e baixar todas as músicas. De David Bowie ("Heroes"), passando por Air Supply ("All Out of Love"), Crowded House ("Don't Dream It's Over"), New Order ("Temptation") e chegando em Morrissey ("Seasick, Yet Still Docked") e The Smiths ("Asleep"), cada canção parece feita especialmente para o filme, sendo "Heroes" aquela que mais traduz todas as esperanças e ilusões vividas na adolescência.
Ignorado no Oscar, As Vantagens de Ser Invisível tem todas as condições de se tornar um daqueles filmes queridos de toda uma geração, como O Clube dos Cinco foi para a turma da década de 1980. Um clássico contemporâneo para uma geração que ainda se sente infinita, e que ainda se ressente de experimentar o amor verdadeiro. "Nós aceitamos o amor que pensamos merecer" é o mote que permeia todo o filme, gerando uma reflexão que ultrapassa as barreiras do cinema e prova que, afinal de contas, a arte deve fazer parte da nossa própria vida.

As Vantagens de Ser Invisível (2012) on IMDb