A Hora Mais Escura - A caçada a Bin Laden rende um dos melhores filmes de 2012

, , 1 comment
Em 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro ficou em choque por causa de uma série de atentados terroristas em pleno solo americano. Tendo sido confirmado o nome do homem responsável por planejar os ataques e articular dezenas de células terroristas em vários lugares do mundo, Osama Bin Laden, a CIA - Central de Inteligência Americana - deu início à maior caçada humana da história. Todos queriam a cabeça do líder da Al Qaeda em uma bandeja, a resposta apropriada a um ataque tão covarde e severo. Depois de dezenas de tentativas frustradas de capturar e matar o terrorista, ninguém mais esperava que algum dia Bin Laden fosse encontrado. Isso até maio de 2011, quando o presidente americano Barack Obama anunciou que uma equipe de S.E.A.L.s da marinha americana, denominada Team 6, havia invadido uma fortaleza em Abbottabad, Paquistão, e assassinado Osama Bin Laden, o homem mais procurado do mundo.
Voltamos a 2009, quando a cineasta Kathryn Bigelow levou para casa 6 Oscar por seu filme, Guerra ao Terror, que mostra uma equipe antibombas trabalhando em pleno Afeganistão ocupado. Logo que começaram as especulações sobre qual seria seu próximo projeto, foi anunciado que a diretora faria um filme sobre a caçada fracassada de uma década a Bin Laden, que seria chamado de Kill Bin Laden [Matar Bin Laden]. Isso até o momento em que o terrorista foi morto. O roteiro, de Mark Boal (que também trabalhou no roteiro de Guerra ao Terror), teve que inteiramente reescrito, e seu clímax óbvio seria os tensos momentos da operação que culminariam na morte de Bin Laden.
Bigelow tinha nas mãos uma história que provavelmente qualquer cineasta com algum juízo desejaria intensamente poder filmar. A questão era se ela seria capaz de transformar em filme um tema tão polêmico quanto desejado: a guerra ao terror que já havia sido retratada por ela mesma, sob o ponto de vista dos soldados no fronte de batalha.
Pelo que é visto em cena, o desafio foi alcançado. A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, EUA, 2012) é tenso como um filme assim deve ser e não se furta a mostrar de maneira crua e realista cenas de tortura, nas quais muitas informações preciosas foram obtidas de homens ligados à Al Qaeda. Estas mesmas cenas têm sido alvo de polêmica nos EUA, o que já era esperado, se considerarmos que o atual governo afirma ter extinguido técnicas de tortura para obtenção de dados dos prisioneiros. De fato, o filme mostra tortura apenas durante o governo Bush, com prisioneiros sendo submetidos a privação de sono e outras técnicas cruéis que não sei denominar aqui. Não sou especialista militar nem nada do gênero. O que posso dizer é que o negócio é feio.
A cena da operação que matou Bin Laden é a mais eletrizante de todas, sendo mostrada quase em tempo real, durando mais de 25 minutos. Só ela já vale o preço do ingresso.
À parte dessas cenas, temos a presença irrefutável de Jessica Chastain (indicada ao Oscar pelo segundo ano consecutivo), que vive a protagonista agente da CIA, Maya, cuja carreira na agência foi inteiramente dedicada à caçada humana a Bin Laden. Sua obsessão é tão forte e intensa, que a agente chega a ser intransigente na tentativa de se fazer crível perante seus superiores. Trata-se de uma personagem que não pode ser ignorada ou esquecida. É de um simbolismo notório a última cena de Maya, já ao fim de 2 horas e meia de projeção, quando a morte de Bin Laden é confirmada e ela, como heroína nacional que não pode ser conhecida do público, embarca em um avião militar e o piloto pergunta para onde ela quer ir. Não há resposta. Não há para onde ir, pois toda a vida que ela conheceu durante uma década acaba de se extinguir. Restam apenas lágrimas.

A Hora Mais Escura estreia no Brasil em 15 de fevereiro.

A Hora Mais Escura (2012) on IMDb