O Hobbit - Uma Jornada Inesperada

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Depois de 10 anos de espera, finalmente chegou a hora de matar saudades da Terra-Média, aquele universo fantástico criado por J. R. R. Tolkien. Não, espere aí. Não somente criado, mas inteiramente mapeado, estudado, delimitado e pensado por Tolkien. O escritor inglês tinha a intenção de criar uma mitologia para a Inglaterra, e escreveu toda a trilogia "O Senhor dos Anéis", depois transformada em um clássico do cinema por Peter Jackson.
Com O Senhor dos Anéis, Peter Jackson não apenas se posicionou entre os grandes cineastas da história, como estabeleceu no cinema uma mitologia que tem um potencial de exploração quase infinito. Era apenas questão de tempo até que se fizesse a adaptação de O Hobbit. Mas Jackson e sua equipe de roteiristas - com o bem-vindo reforço de Guillermo Del Toro - fizeram muito mais e resolveram dividir o livro, que tem 19 capítulos, em três filmes. A decisão era muito arriscada, pois supostamente o material que justificasse a divisão não existia. Assim, Jackson utilizou fatos apenas mencionados por Tolkien em apêndices e notas de rodapé no livro, e os transformou em cenas vibrantes e personagens empolgantes.
Falando do filme, só posso dizer uma coisa: espetáculo. Jackson é o Spielberg de nossa geração, e sabe como poucos transformar cinema em diversão levada a sério. Em O Hobbit - Uma Jornada Inesperada (EUA, 2012), todos os avanços conquistados no cinema nesta década podem ser vistos. Cada cenário é meticulosamente planejado, e todos eles enchem os olhos do espectador. Isso sem falar nos personagens gerados por computação gráfica, como o rei dos orcs, o vilão Azog e, é claro, Gollum. O personagem vivido pelo ator Andy Serkis é um esplendor, desde sua primeira aparição, quando conhece Bilbo e perde uma competição de adivinhações, bem como o Um Anel, o "Precioso".
Porém, muito antes da cena mencionada aí em cima, muita coisa já aconteceu. Bilbo Bolseiro (Martin Freeman, da série inglesa Sherlock, nascido para o papel) é um hobbit como qualquer outro, até que é convidado por Gandalf (Ian McKellen, mandando no filme) para ajudar um grupo de 13 anões a retomar seu antigo lar, dominado pelo pavoroso dragão Smaug. Os anões são liderados por Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage, da série inglesa Strike Back), herdeiro do trono de seu povo. Inicialmente relutante, como todo hobbit deve ser quando se trata de sair de seu precioso Condado, Bilbo decide aceitar o desafio e enfrenta todo tipo de criatura, como trolls, orcs e até gigantes de pedra, além de conhecer o magnífico lar dos elfos, Valfenda - neste filme recriada em todo o seu esplendor.
Como se trata do primeiro filme de uma nova trilogia, não estranhe se o filme não acabar de fato. A intenção de Jackson em criar uma hexalogia é muito clara, já que as ligações com O Senhor dos Anéis estão muito claras para todos notarem.
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada, entretanto, não é unanimidade entre os críticos. Alguns mencionam como pontos fracos a extensa duração (169 minutos) e a impressão de que Jackson está tentando encher linguiça. A verdade é que o filme ganharia em coerência se fosse mais hermético, sem que algumas cenas se estendessem tanto, como o momento em que Bilbo e os anões enfrentam o trio de trolls famintos e estúpidos, longo demais. Apesar disso, o filme é incrivelmente divertido, sem abrir mão do respeito à obra de Tolkien e da consideração com os fãs da saga de fantasia mais espetacular da história do cinema.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012) on IMDb