Poder sem Limites

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O subgênero "filmagem encontrada" já é mais nenhuma novidade. São inúmeros os filmes que se utilizaram do recurso narrativo para contar suas histórias, muitos deles mostrando-se incompetentes em seus objetivos. O estilo é muitas vezes a saída para ocultar orçamentos baixos, pois as câmeras tremidas e os ângulos nada ortodoxos disfarçam a grana curta para gastar em efeitos especiais. Esse, porém, não é o caso em filmes recentes, como Cloverfield - Monstro, O Caçador de Troll e este Poder sem Limites (Chronicle, EUA, 2012).
Apesar de ser uma "filmagem encontrada", o filme de Josh Trank é cheio de efeitos especiais de primeira linha. O recurso narrativo funciona aqui como uma forma de tornar a história mais realista, mais próxima do público, mais perto de responder a questão: como seria se pessoas normais simplesmente recebessem superpoderes?
Se Stan Lee procurou responder tal pergunta na década de 1960, quando criou personagens icônicos da Marvel, como Homem-Aranha e Quarteto Fantástico, Josh Trank leva esta questão até as últimas consequências. A visão ultrarrealista de Trank e do roteirista Max Landis extrapola qualquer outra abordagem que o tema "super-herói" já teve no cinema. Trata-se do conceito mais palpável a respeito do tema que já foi filmado.
Em Poder sem Limites, três adolescentes, estudantes de Ensino Médio, resolvem investigar um buraco estranho no meio de uma floresta, do qual um misterioso barulho está saindo. Eles entram no tal buraco - um deles de câmera na mão, é claro - e se deparam com um objeto esquisito, provavelmente alienígena. Depois que saem de lá, descobrem que têm o poder de mover objetos com a mente. À medida que o tempo passa, eles treinam suas habilidades e desenvolvem uma poderosa telecinésia, capaz de fazê-los mover carros e até voarem.
Mas a abordagem de Poder sem Limites mostra que, como diria Peter Parker, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Um dos rapazes, Andrew (Dane DeHaan), sempre foi solitário e rejeitado na escola, tendo também sofrido com violência em casa. Logo, tanto poder na mão de uma pessoa desequilibrada  pode gerar consequências desastrosas.
Com um clímax extraordinário, Poder sem Limites é surpreendente. Que o diga o público americano, que o tornou a grande surpresa do começo do ano, tendo custado apenas 12 milhões de dólares e rendido mais de 60 milhões apenas nos Estados Unidos. O sucesso é merecido e uma sequência já está confirmada. Prova que ainda há muito a ser visto quando se trata de super-heróis - e filmagem encontrada.

Poder sem Limites (2012) on IMDb